Não foi por provocação ao Benfica que Jesualdo Ferreira disse ontem ao “Diário de Notícias” que os jogos mais complicados do seu tempo eram contra o Sporting. O Sporting de Paulo Bento era de facto uma equipa de grande intensidade. Simplesmente, não era uma equipa de rasgo – e, portanto, só podia mesmo ganhar ao FC Porto quando este estivesse mal, como aliás aconteceu várias vezes. Com o Sporting de Domingos, não é assim. Este Sporting é simultaneamente mais frágil e mais forte: mais frágil na coesão, mas mais forte no golpe de asa. Talvez possa mais facilmente perder, mas também pode mais facilmente ganhar, mesmo que o FC Porto esteja bem. Do ponto de vista pontual, claro, a situação é a do costume: uma derrota é o fim de tudo e uma vitória apenas a garantia do direito a disputar o jogo seguinte, onde de novo a época poderá, com a maior das facilidades, descer aos Infernos. Mas o facto é que o clássico deste fim-de-semana já não é apenas “sobre” o Sporting: é também “sobre” o FC Porto, que precisa igualmente de provar ter antídoto contra a criatividade, e não apenas contra o empenho. Só assim um duelo entre leões e dragões podia, de resto, acalentar expectativas quanto a deixar de ser aquilo que ainda é: apenas o terceiro no ranking nacional de clássicos. Pois está dado um primeiro passo.
5ª COLUNA, de segunda a sexta-feira, n'O Jogo.
Editoras:
Media:
Associações:
Blogs: