“Moneyball”, estreado há dias nas salas portuguesas, é um belo exercício sobre a dimensão mais romântica do desporto e uma verdadeira lição sobre as glórias e os abismos do basebol. O dilema: será possível, com os dados estatísticos certos e as fórmulas matemáticas adequadas, construir uma equipa campeã a partir de jogadores de segunda linha, dividindo o jogo em partes pequeninas e atribuindo cada uma dessas partes a um especialista nela (e, aliás, desadequado a todas as outras)? Billy Beane provou que sim, em 2002, como director-geral dos Oakland Athletics. Ou quase. Na verdade, os “A’s” acabaram por perder o playoff de acesso à World Series para os Minnesota Twins, numa derradeira vitória do homem sobre o computador. E, porém, fica a questão: até que ponto se poderá, um dia, partir o futebol em tantas competências particulares que se torne exequível a construção de uma boa equipa a partir de números? Se calhar, nunca. Mas há vinte anos também teríamos dito o mesmo do basebol. E o facto é que, em 2004, os Red Sox ganharam a dita World Series com os mesmos métodos a que Beane deu ressonância.
5ª COLUNA, de segunda a sexta-feira, n'O Jogo.
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