Entendamo-nos: o que incomoda em Fama Show não é a sua montagem tipo videoclip. Nem as suas incursões aos domínios da moda, da música ou do cinema. Nem – muito menos – as suas raparigas, apresentadoras e repórteres, todas lindas. Como lareira, em silêncio, Fama Show não tem, aliás, rival na televisão portuguesa: até em modo pause, parado num só frame, pode ser fulgurante. O problema é o seu conteúdo: todo o seu conteúdo, dos assuntos à forma como são tratados. É o conceito – um conceito tão equívoco e retorcido que vai para além do próprio programa, ou mesmo da TV em geral. Fama Show, como outros formatos do seu género, alimenta-se, com absoluto cinismo, do que de pior a fama tem: a ideia de que se trata de um fim em si própria (ou, vá lá, de um reflexo de si própria). Em Fama Show, regra geral, não se é famoso porque se fez isto ou aquilo: é-se famoso porque se é famoso – e, porque se é famoso, pode-se fazer isto ou aquilo, incluindo “cantar”, “representar” ou “desfilar”. Pois a disseminação dessa ideia precisa de ser regulada. Da mesma forma que a lei impede a publicidade ao tabaco ou a consciência obriga as manequins a avisarem as adolescentes para os riscos da anorexia, a atracção da fama-pela-fama também deveria ser, de alguma maneira, dissuadida. Ela própria é uma anorexia, aliás: uma anorexia intelectual. No meio de tudo isto, que entrevistadoras e entrevistadas olhem a cada instante para a câmara, fazendo beicinhos e olhinhos como se tivessem graça, é só má televisão. Temos tanta que eu nem saberia por onde começar.
Prós & Contras, às sextas-feiras na NTV (com Nuno Azinheira)
“Moneyball”, estreado há dias nas salas portuguesas, é um belo exercício sobre a dimensão mais romântica do desporto e uma verdadeira lição sobre as glórias e os abismos do basebol. O dilema: será possível, com os dados estatísticos certos e as fórmulas matemáticas adequadas, construir uma equipa campeã a partir de jogadores de segunda linha, dividindo o jogo em partes pequeninas e atribuindo cada uma dessas partes a um especialista nela (e, aliás, desadequado a todas as outras)? Billy Beane provou que sim, em 2002, como director-geral dos Oakland Athletics. Ou quase. Na verdade, os “A’s” acabaram por perder o playoff de acesso à World Series para os Minnesota Twins, numa derradeira vitória do homem sobre o computador. E, porém, fica a questão: até que ponto se poderá, um dia, partir o futebol em tantas competências particulares que se torne exequível a construção de uma boa equipa a partir de números? Se calhar, nunca. Mas há vinte anos também teríamos dito o mesmo do basebol. E o facto é que, em 2004, os Red Sox ganharam a dita World Series com os mesmos métodos a que Beane deu ressonância.
5ª COLUNA, de segunda a sexta-feira, n'O Jogo.
«Preocupa-me pouco se a Liga e a UEFA aprovaram (e parece que não aprovaram) as fotografias que o Sporting colocou no túnel de acesso aos balneários. Tão-pouco me preocupa se essas fotos estão lá desde o início da época ou apenas desde anteontem. O problema é aquilo que essas fotografias revelam a propósito do olhar que este Sporting tem sobre as suas claques, sobre as claques em geral e, já agora, sobre o universo dito “ultra”. E o que revelam é o mesmo que já revelara o infame comunicado em que, no Outono, o clube se pusera à margem de uma investigação policial a elementos a Juve Leo. Quem lê esta coluna sabe-o bem: sou um admirador de Godinho Lopes, Luís Duque e Carlos Freitas. Mas esta gestão do Sporting, está mais do que confirmado, também tem um lado negro – e esse lado negro é o pouco empenho em distinguir a claque do clube de um pequeno exército urbano. Muito claramente: o Sporting não pode ter fotos com saudações nazis e/ou passa-montanhas e/ou um clima geral de gangsterismo nas paredes do túnel de acesso aos balneários. Tendo-as, jamais poderá ser ilibado de responsabilidades quando os seus adeptos apedrejam um autocarro. É tão simples quanto isso.»
5ª COLUNA, de segunda a sexta-feira, n'O Jogo.
«Chegamos, porém, a um momento em que a recessão não é apenas uma coisa dos telejornais, mas uma realidade comprovável na vida das famílias, incluindo menos trabalho e menos rendimento, mais impostos e mais desespero. A partir daqui, pois, não serão o espírito e a retórica a fazer a diferença: serão a assertividade e as soluções concretas. E Marcelo Rebelo de Sousa sempre foi melhor a problematizar do que a resolver. Para além de tudo, o calendário eleitoral começa a impor-se. Se o antigo presidente do PSD efectivamente acalenta alguma ambição de chegar à Presidência da República, em algum momento terá de sair de cena, de forma a readquirir o consenso que apenas a obscuridade permite. Tendo em conta que as eleições são em 2015, o ideal seria talvez desaparecer em 2013. Mas Maio, data em que termina o actual contrato com a TVI, também pode ser uma boa solução.» Texto completo aqui.
Mas haverá algum defeito que Fernando Nobre não tenha?
Arranca a nova temporada de golfe – e a partir desta noite já há Hyundai Tournament Of Champions (PGA Tour) na SportTV Golfe. Arranque às 22.30 (com emissão contínua até às 03.00) e depois sempre no mesmo horário até à noite da próxima segunda-feira. Bocas e atoardas de yours truly. Quem alinha?
Não foi por provocação ao Benfica que Jesualdo Ferreira disse ontem ao “Diário de Notícias” que os jogos mais complicados do seu tempo eram contra o Sporting. O Sporting de Paulo Bento era de facto uma equipa de grande intensidade. Simplesmente, não era uma equipa de rasgo – e, portanto, só podia mesmo ganhar ao FC Porto quando este estivesse mal, como aliás aconteceu várias vezes. Com o Sporting de Domingos, não é assim. Este Sporting é simultaneamente mais frágil e mais forte: mais frágil na coesão, mas mais forte no golpe de asa. Talvez possa mais facilmente perder, mas também pode mais facilmente ganhar, mesmo que o FC Porto esteja bem. Do ponto de vista pontual, claro, a situação é a do costume: uma derrota é o fim de tudo e uma vitória apenas a garantia do direito a disputar o jogo seguinte, onde de novo a época poderá, com a maior das facilidades, descer aos Infernos. Mas o facto é que o clássico deste fim-de-semana já não é apenas “sobre” o Sporting: é também “sobre” o FC Porto, que precisa igualmente de provar ter antídoto contra a criatividade, e não apenas contra o empenho. Só assim um duelo entre leões e dragões podia, de resto, acalentar expectativas quanto a deixar de ser aquilo que ainda é: apenas o terceiro no ranking nacional de clássicos. Pois está dado um primeiro passo.
5ª COLUNA, de segunda a sexta-feira, n'O Jogo.
Editoras:
Media:
Associações:
Blogs: