Não foi por provocação ao Benfica que Jesualdo Ferreira disse ontem ao “Diário de Notícias” que os jogos mais complicados do seu tempo eram contra o Sporting. O Sporting de Paulo Bento era de facto uma equipa de grande intensidade. Simplesmente, não era uma equipa de rasgo – e, portanto, só podia mesmo ganhar ao FC Porto quando este estivesse mal, como aliás aconteceu várias vezes. Com o Sporting de Domingos, não é assim. Este Sporting é simultaneamente mais frágil e mais forte: mais frágil na coesão, mas mais forte no golpe de asa. Talvez possa mais facilmente perder, mas também pode mais facilmente ganhar, mesmo que o FC Porto esteja bem. Do ponto de vista pontual, claro, a situação é a do costume: uma derrota é o fim de tudo e uma vitória apenas a garantia do direito a disputar o jogo seguinte, onde de novo a época poderá, com a maior das facilidades, descer aos Infernos. Mas o facto é que o clássico deste fim-de-semana já não é apenas “sobre” o Sporting: é também “sobre” o FC Porto, que precisa igualmente de provar ter antídoto contra a criatividade, e não apenas contra o empenho. Só assim um duelo entre leões e dragões podia, de resto, acalentar expectativas quanto a deixar de ser aquilo que ainda é: apenas o terceiro no ranking nacional de clássicos. Pois está dado um primeiro passo.
5ª COLUNA, de segunda a sexta-feira, n'O Jogo.
«Está bem: o mercado de Inverno não funciona. Resultou uma vez para o Sporting, campeão com André Cruz, César Prates e Mbo Mpenza, mas de resto tem sido quase só despesismo. E, no entanto, resultou uma vez. Portanto, bem se pode dizer sobre ele aquilo que se diz sobre o Euromilhões, por exemplo: que as hipóteses de ganhar são tão remotas que jogar e não jogar, do ponto de vista matemático, é quase igual. O facto é que, como continuamos a jogar no Euromilhões, continuaremos a ir ao mercado de Inverno, iluminados por esse farol que é o Sporting de 1999-2000. A preparação da temporada, sim, é gestão. Já o mercado de Inverno é gambling puro. Mas, se é a gestão que faz os campeões, é o rasgo que faz os heróis. Portanto, venham daí esses cavalos negros, que este campeonato ainda não acabou. Do FC Porto ao Braga, todos podem ainda sonhar. E sonhar, queira-se ou não, é metade do prazer.» 5ª COLUNA, de segunda a sexta-feira, n'O Jogo.
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