Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012
publicado por JN em 5/1/12

Entregue "Os Sítios Sem Resposta", é colocar o conta-quilómetros a zero. Próximo romance com prazo limite de entrega a 30 de Junho de 2013. Título provisório: "Cerrados". E assim recomeça a aventura. Chega de perder tempo com patetices. Há crise? Pois claro que há. Mas também há sempre um café chungoso, debaixo de uma ponte igualmente chungosa, onde se pode encontrar uma tomada livre para ligar o computador. O mundo vai continuar – e um homem tem de continuar com ele.

 

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Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2012
publicado por JN em 4/1/12

 

«Tratava-nos muitas vezes por Miguel a mim e por filho a ele. Às vezes, porém, tratava-me a mim por amigo, o que era mais do que aquilo a que Nuno podia aspirar.»

 

«Para ser sincero, e apesar das já quase duas décadas de exílio, eu continuava a voltar à terra como se realmente pudesse acordar ao contrário, contorcendo-me e espreguiçando-me e depois fechando-me em concha, até, enfim, adormecer.»

 

«E eu não soube o que dizer-lhe, porque percebia que uma mulher amarga, complexada e arrivista, agressiva e globalmente imprópria, podia ser mais amável do que a mulher perfeita, assim tivesse uma história connosco, assim nos unisse a ela uma intimidade que a mais ninguém fosse acessível, assim fosse nossa como nenhuma outra.»

 

«E, então, sim, galgou para cima de mim, fechou os olhos, ergueu o queixo e pôs-se a subir e a descer sobre o meu ventre, num ritmo triunfal, quase numa apoteose, com a planta dos pés assentes com firmeza sobre o colchão e o ar convicto de quem enfrenta uma espécie de inevitabilidade, ou talvez tenta tirar o melhor partido possível de uma coisa primordialmente desagradável.»

 

«Pus-me ao lado dele, a enxaguar a loiça que ele lavava, e verifiquei que não notava já o seu cheiro tépido e doce, aquele cheiro só dele que eu conseguiria identificar em qualquer lugar do mundo. Provavelmente, não o perdera: eu é que, em definitivo, passara a cheirar como ele.»

 

«Por muito que eu me tivesse esforçado, e ainda que o tivesse mesmo feito, jamais conseguiria ser durante cinco minutos metade daquilo que ele fora ao longo de toda a vida, sem uma hesitação, sem uma ressalva, sem outra intenção que não apenas sê-lo.»

 

* Esboços para "Os Sítios Sem Resposta" (título provisório), a publicar em Abril, com chancela Porto Editora.

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Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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"Os Sítios Sem Resposta"
ROMANCE
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Editorial Prefácio
2003
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