Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012
publicado por JN em 24/1/12

Entendamo-nos: o que incomoda em Fama Show não é a sua montagem tipo videoclip. Nem as suas incursões aos domínios da moda, da música ou do cinema. Nem – muito menos – as suas raparigas, apresentadoras e repórteres, todas lindas. Como lareira, em silêncio, Fama Show não tem, aliás, rival na televisão portuguesa: até em modo pause, parado num só frame, pode ser fulgurante. O problema é o seu conteúdo: todo o seu conteúdo, dos assuntos à forma como são tratados. É o conceito – um conceito tão equívoco e retorcido que vai para além do próprio programa, ou mesmo da TV em geral. Fama Show, como outros formatos do seu género, alimenta-se, com absoluto cinismo, do que de pior a fama tem: a ideia de que se trata de um fim em si própria (ou, vá lá, de um reflexo de si própria). Em Fama Show, regra geral, não se é famoso porque se fez isto ou aquilo: é-se famoso porque se é famoso – e, porque se é famoso, pode-se fazer isto ou aquilo, incluindo “cantar”, “representar” ou “desfilar”. Pois a disseminação dessa ideia precisa de ser regulada. Da mesma forma que a lei impede a publicidade ao tabaco ou a consciência obriga as manequins a avisarem as adolescentes para os riscos da anorexia, a atracção da fama-pela-fama também deveria ser, de alguma maneira, dissuadida. Ela própria é uma anorexia, aliás: uma anorexia intelectual. No meio de tudo isto, que entrevistadoras e entrevistadas olhem a cada instante para a câmara, fazendo beicinhos e olhinhos como se tivessem graça, é só má televisão. Temos tanta que eu nem saberia por onde começar.

Prós & Contras, às sextas-feiras na NTV (com Nuno Azinheira)

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Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012
publicado por JN em 17/1/12

“Moneyball”, estreado há dias nas salas portuguesas, é um belo exercício sobre a dimensão mais romântica do desporto e uma verdadeira lição sobre as glórias e os abismos do basebol. O dilema: será possível, com os dados estatísticos certos e as fórmulas matemáticas adequadas, construir uma equipa campeã a partir de jogadores de segunda linha, dividindo o jogo em partes pequeninas e atribuindo cada uma dessas partes a um especialista nela (e, aliás, desadequado a todas as outras)? Billy Beane provou que sim, em 2002, como director-geral dos Oakland Athletics. Ou quase. Na verdade, os “A’s” acabaram por perder o playoff de acesso à World Series para os Minnesota Twins, numa derradeira vitória do homem sobre o computador. E, porém, fica a questão: até que ponto se poderá, um dia, partir o futebol em tantas competências particulares que se torne exequível a construção de uma boa equipa a partir de números? Se calhar, nunca. Mas há vinte anos também teríamos dito o mesmo do basebol. E o facto é que, em 2004, os Red Sox ganharam a dita World Series com os mesmos métodos a que Beane deu ressonância.

5ª COLUNA, de segunda a sexta-feira, n'O Jogo.

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Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2012
publicado por JN em 9/1/12

«Preocupa-me pouco se a Liga e a UEFA aprovaram (e parece que não aprovaram) as fotografias que o Sporting colocou no túnel de acesso aos balneários. Tão-pouco me preocupa se essas fotos estão lá desde o início da época ou apenas desde anteontem. O problema é aquilo que essas fotografias revelam a propósito do olhar que este Sporting tem sobre as suas claques, sobre as claques em geral e, já agora, sobre o universo dito “ultra”. E o que revelam é o mesmo que já revelara o infame comunicado em que, no Outono, o clube se pusera à margem de uma investigação policial a elementos a Juve Leo. Quem lê esta coluna sabe-o bem: sou um admirador de Godinho Lopes, Luís Duque e Carlos Freitas. Mas esta gestão do Sporting, está mais do que confirmado, também tem um lado negro – e esse lado negro é o pouco empenho em distinguir a claque do clube de um pequeno exército urbano. Muito claramente: o Sporting não pode ter fotos com saudações nazis e/ou passa-montanhas e/ou um clima geral de gangsterismo nas paredes do túnel de acesso aos balneários. Tendo-as, jamais poderá ser ilibado de responsabilidades quando os seus adeptos apedrejam um autocarro. É tão simples quanto isso.»

5ª COLUNA, de segunda a sexta-feira, n'O Jogo.

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Domingo, 8 de Janeiro de 2012
publicado por JN em 8/1/12

«Chegamos, porém, a um momento em que a recessão não é apenas uma coisa dos telejornais, mas uma realidade comprovável na vida das famílias, incluindo menos trabalho e menos rendimento, mais impostos e mais desespero. A partir daqui, pois, não serão o espírito e a retórica a fazer a diferença: serão a assertividade e as soluções concretas. E Marcelo Rebelo de Sousa sempre foi melhor a problematizar do que a resolver. Para além de tudo, o calendário eleitoral começa a impor-se. Se o antigo presidente do PSD efectivamente acalenta alguma ambição de chegar à Presidência da República, em algum momento terá de sair de cena, de forma a readquirir o consenso que apenas a obscuridade permite. Tendo em conta que as eleições são em 2015, o ideal seria talvez desaparecer em 2013. Mas Maio, data em que termina o actual contrato com a TVI, também pode ser uma boa solução.» Texto completo aqui.

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Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012
publicado por JN em 6/1/12

Arranca a nova temporada de golfe – e a partir desta noite já há Hyundai Tournament Of Champions (PGA Tour) na SportTV Golfe. Arranque às 22.30 (com emissão contínua até às 03.00) e depois sempre no mesmo horário até à noite da próxima segunda-feira. Bocas e atoardas de yours truly. Quem alinha?

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Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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"Os Sítios Sem Resposta"
ROMANCE
Porto Editora
2012
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"O Citroën Que Escrevia
Novelas Mexicanas"

CONTOS
Editorial Presença
2002
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"O Terceiro Servo"
ROMANCE
Editorial Presença
2002
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outros livros

Bíblia do Golfe
DIVULGAÇÃO
Prime Books
2011
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"Banda Sonora Para
Um Regresso a Casa

CRÓNICAS
Porto Editora
2011
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"Crónica de Ouro
do Futebol Português"

OBRA COLECTIVA
Círculo de Leitores
2008
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"Todos Nascemos Benfiquistas
(Mas Depois Alguns Crescem)"

CRÓNICAS
Esfera dos Livros
2007
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"José Mourinho, O Vencedor"
BIOGRAFIA
Publicações Dom Quixote
2004
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"Al-Jazeera, Meu Amor"
CRÓNICAS
Editorial Prefácio
2003
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